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Realismo sim... Realidade não!
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October 6th, 2007 06:55 pm
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depois do “sim” viveram felizes para sempre enquanto que por detrás das cortinas recém cerradas, ainda ao som dos passos a afastarem-se no foyer felizes pelo feliz desfecho, a grotesca ironia tomava início. não errámos de amor, que dizem ser a sala mais difícil do circuito, mas não nos conseguimos esconder a angústia que nos apaga. fomos atirados para este cenário e não sabemos perdurar nele. a minha vida, que é nossa, é uma puta que me atiça as entranhas com paus afiados e faz-me como sou e faz-te como és. visto-me dela, da tua tristeza, que se derrama como um rio intermitente que, coberto ou não, está sempre lá. amo-te incondicionalmente e demonstro-to tantas vezes que os trilhos que calcamos estão moídos. desculpo-me por assumir que não me chegas para ser feliz, que não te chego para seres feliz. procuras motivos para o que nos caiu em cima nos livros que todos lêem mas sabes que não vais encontrar.
só sei que se me faltares morro.
 
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August 22nd, 2005 07:22 am
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“Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.”
desculpa-me pelo escuro de mais uma noite é a minha anunciada tranquilidade que, dissonante como o amor, me reparte o sentir em dias
desculpa-me o cadente e vagaroso cessar dos desnecessários presságios do abate deste dia não são mais que o afrouxar das rédeas do meu afogo.
desculpa-me o ar pesado que respiras de tão cheio dos sonhos que me escapam.
mas não tarda que os desassossegos regressem a iluminar o sorriso de crianças, onde vives
 
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July 21st, 2005 07:47 pm
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Amicitate
O conceito de amizade sempre me intrigou por auferir de todo o espectro de carga que uma palavra pode ter. É-se amigo por tudo e por nada mas é universal que há amigos e amigos.
Para alimentar uma amizade não há fórmula. Podia agora aqui despejar algumas das milhões de teorias, umas mais zen que outras, de como garantir uma bela amizade, mas a verdade é que não há mesmo receita. Posso ser imediatamente próximo de alguém que praticamente não conheço, e manter uma relação distante em lume brando, para todo o sempre, com alguém que conheço desde puto.
Para complicar ainda mais há outro aspecto a considerar: o desequilíbrio de uma amizade. Todos nós já sofremos deste mal. Normalmente esta sensação detecta-se pelo lado bom, se é que há lado bom nisto. Apercebemo-nos que alguém nos dá uma importância claramente superior à que lhe concedemos e lá vamos tentando gerir este fardo da melhor maneira (como censurar alguém por ter bom gosto?). O chato, e difícil de gerir, é o contrário. Primeiro porque raramente o descobrimos e depois porque quando o conseguimos somos quase sempre impelidos a uma tarefa destinada ao fracasso: lutar pela aproximação. Este caminho invariavelmente realça ainda mais o tal desequilíbrio e, muitas vezes, torna impossível negligenciá-lo.
Penso que em termos emocionais não distinguimos amizades de cyber-amizades. Por vezes, senão demasiadas, posso preterir a presença de um verdadeiro amigo para ficar a ler umas linhas de um nick. Não quero aqui alimentar a teoria do “get a life” pois não me parece que haja tipos de amizade preferenciais. Acho que se num amigo do dia-a-dia a relação deve ser simbiótica, no sentido que os chavões de “dar e receber” fazem todo o sentido. Com um cyber-amigo a coisa é bastante diferente. A relação pode e deve ser mais egoísta sem receio de grande prejuízo para o lado de lá. Há uma negociação implícita, bastante mais objectiva, do tipo dou-te isto dás-me aquilo: quero ler-te pelo que tenho de te escrever. Trocam-se impressões a uma velocidade impressionante, sem pudores excessivos já que o que está em jogo é, ou sente-se como sendo, manifestamente menos.
Do lado de cá do ecrã já fui aos limites das minhas emoções. Já encaixei gente desse lado no topo das prioridades mas também já comprei decepções por 250 euros.
Por tudo isto considero que os amigos não se fazem. Quando damos por isso já os temos, ponto.
 
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